Introdução ao zine #2 - Comunicação também é possível para além do algoritmo das redes sociais
A segunda parte da nossa série de materiais introdutórios ao mundo do zine, criado em um formato de tirinha e relato de uma oficineira
“O zine é tipo o “avô” da redes sociais e dos blogs”
Uma tirinha que nasceu de experiências reais em oficinas de zine
Ilustrações por Luana Góes, com tudo feito a mão em seu caderninho
Textos por hardiycore (Stefani), inspirada na sua experiência introduzindo o conceito de zines para novas gerações em suas oficinas de zine, conduzidas na sua cidade
Um relato da nossa oficineira que inspirou a tirinha acima
Escrito por Stefani, editado por Luana
Quando comecei a dar oficinas, me vi travando numa pergunta simples: como definir um zine? Ele é tudo. Pode ser qualquer coisa. Tem infinitos formatos, infinitos temas, infinitas maneiras de existir.
“É uma autopublicação.” Quediabéisso?
“É tipo uma revista que você mesmo faz e distribui por aí.” Sobre o quê?
“Qualquer coisa.” Mas pra quê exatamente?
Como explicar que uma folha de papel A4 dobrada pode ser tão revolucionária quando hoje qualquer jovem carrega um computador superpotente no bolso? Como convencer alguém de que a comunicação também é possível de forma analógica e que, às vezes, assim as conexões podem ser ainda mais fortes, mais íntimas, mais potentes?
Acho que a resposta veio quando entendi que o zine, antes de ser objeto, é sentimento. E como se explica um sentimento? Não se explica totalmente. As vezes, a gente vive ele e entende.
O zine nasce da necessidade humana de explorar e expor sensações, angústias, alegrias, obsessões. Essa necessidade sempre existiu. O que muda é o meio. Cada época escolhe suas ferramentas favoritas, mas o impulso é o mesmo. Alguns meios nunca deixam de existir; só mudam de lugar no mundo.
Hoje em dia, inclusive, o analógico está “na moda”. Vinil, câmera com filme, carta escrita à mão, caderninho, scrapbook. Ninguém sabe explicar exatamente por quê mas todo mundo sente alguma coisa ali. Talvez seja cansaço, talvez seja reação. Porque no fundo a gente sabe que não é saudável passar 12 horas por dia rolando uma tela, consumindo conteúdo pensado pra prender atenção, gerar ansiedade e nos deixar um pouco mais bitolados com o mundo e com nós mesmos.
A lógica do digital é a velocidade de produzir, postar, consumir, descartar. Tudo precisa ser rápido, legível em três segundos, compartilhável, performático. Até o que é íntimo vira conteúdo.
O zine vai na contramão disso, ele não nasce pra performar. Não precisa de algoritmo. Não pede validação em número. Ele pede tempo. Tempo esse que pode ser dividido em várias coisas: recortar, colar, escrever à mão, errar, refazer, diagramar, ilustrar… e também tempo para ler e folhear com calma. O zine não pode ser consumido em velocidade relâmpago, e talvez seja justamente isso que ele seja tão necessário.
A partir dessas reflexões, como pessoa que dá oficina de zines, surgiu um questionamento. Como convencer pessoas novas de que fazer algo que não é imediatamente consumível, monetizável ou postável também é válido?
Talvez a resposta seja mostrar que nem tudo precisa virar conteúdo. Que criar pode ser um fim em si mesmo e que nem toda expressão precisa de audiência massiva, às vezes basta uma pessoa segurando aquele papel e sentindo que aquilo foi feito por outra pessoa, com suas mãos, de forma autoral.
É por isso que gosto de dizer que o zine é o avô dos blogs e das redes sociais. Explico algo considerado “antigo” e vou criando ponte com o que é atual. Todo jovem usa rede social. Muitos também viveram a era dos blogs, onde se escrevia sobre qualquer assunto, para qualquer pessoa, do próprio quarto.
Esse espírito de compartilhamento intimo, autoral e direto é o que conecta todas esses formatos e meios de expressão. O zine carrega exatamente isso: a possibilidade de qualquer pessoa ser seu autor, editor, diagramador e distribuidor do próprio trabalho, sem depender de pessoas terceiras, grandes editoras ou hierarquias. A diferença para as redes sociais está no cuidado, no tempo e na intenção para além de algoritmos. No fundo, talvez o zine não precise ser explicado, e sim precisa ser feito.
Leia a primeira parte do nosso material a seguir e aprenda a fazer sua primeira publicação independente e autoral!

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Publicado e revisado por:
Idealizadora da Biblioteca de Zines









