Introdução ao mundo de zines
Afinal, o que são zines? Aprenda a fazer sua primeira publicação independente. Uma série da Biblioteca de Zines.
Vamos tirar o elefante da sala: zine não é só coisa de artista, nem precisa ser um formato complicado de publicação.

Pessoas são criativas. Mesmo as que não trabalham com criação como desenhistas e escritores, estão sempre em busca de formas mais práticas e/ou mais interessantes de conduzir suas vidas.
A “falta de criatividade” é o primeiro obstáculo a tirar da sua frente quando pensar em criar seu próprio zine. Este texto veio pra te mostrar que zine é pra todo mundo, inclusive você, que nunca fez, e não sabe nem por onde começar a fazer um.

O que são Zines?
Zines são uma forma de de publicação independente. São um formato de autopublicação caseiro e experimental que permite a expressão criativa e a disseminação de ideias de forma acessível e democrática, tendo seus primórdios nos movimentos de contracultura e tornando-se um meio de comunicação alternativo e inclusivo.

O nome “zine” é uma redução de fanzine, junção das palavras fanatic (fã) e magazine (revista).
Os zines permitem uma série de possibilidades de criação, individual e/ou coletiva, utilizando de desenhos, textos, colagens de imagens autorais ou não, além de serem um meio importante de publicação independente de HQs e literatura underground em geral.
São muitas as possibilidades: desde quadrinhos, até a fotografia, ilustrações, colagens, escritas e mais, cobrindo os mais variados temas e nichos.
Quem pode fazer zines?
Qualquer pessoa é bem-vinda no mundo dos zines. Uma grande vantagem do zine é que você não depende de produtores ou grandes editoras para criar e publicar seu próprio material. Assim, os zines oferecem espaço para compartilhar perspectivas pessoais, histórias marginalizadas e questionamentos sociais de forma alternativa. Por isso, é importante notar que os zines historicamente foram e ainda podem ser usados para desafiar narrativas dominantes e amplificar vozes silenciadas.

O formato iniciou sua circulação na década de 1930, quando utilizado por fãs de ficção científica para divulgar seus textos, e foi posteriormente adotado em movimentos juvenis anti-censura, como punks e feministas, além de escritores, poetas e demais artistas.
Comunidades de zineiros promovem o intercâmbio cultural e criativo em eventos, encontros e feirinhas de zines e demais espaços de colaboração e visibilidade, como a Biblioteca de Zines.

Além do digital, Zines também podem ser enviados de forma física por correio facilmente, de forma com que as comunidades de zineiros ultrapassam fronteiras e facilitando esse intercâmbio cultural da cena.
Formato
Os zines podem ter diversos formatos. Um dos mais famosos são os zines de bolso, publicações cuja montagem depende apenas de cortar e dobrar um papel, como A4, de maneira a criar um livreto. Por ser o formato mais acessível, é o que vamos exemplificar a seguir.

Processo
Antes de começar a montagem, é importante definir o tema. Você pode criar sobre amor, amizade, violência, etc. Uma possibilidade é se inspirar nos temas do Clube de Zines, uma iniciativa para estimular a criatividade com temas de criação mensais da Biblioteca de Zines. Você também pode criar alguns rascunhos ou textos sobre o que pretende produzir: não tem tanta regra, conforme o tempo a gente vai descobrindo e testando o que funciona melhor.

Um dos aspectos mais legais do zine dobrado de papel A4 é que quando abertos podem ser reproduzidos em scans ou xérox e distribuídos da forma que o autor preferir: digital, ou físico, gratuito, ou por um preço simbólico.



Lembre-se de que estamos tratando de um formato de publicação artesanal, ou seja, não se cobre tanto para fazer algo a nível de trabalho editorial. Às vezes, o perfeccionismo mais atrapalha do que ajuda. Não existe um jeito errado de fazer zines com suas próprias mãos.
Exemplificando

Apresentando o zine de bolso, um formato que usa apenas um dos lados da folha A4, tornando ele muito fácil de reproduzir e distribuir de forma física. É aquele zine que talvez você já tenha visto, que tem um corte no meio da folha e uma dobra que faz cada uma das 8 divisões dessa folha virar uma página de um livrinho.
O primeiro passo é pegar a folha A4 e dobrar no meio três vezes. Quando você abrir o papel, notará que está dividido em 8 partes iguais. Cada parte vai ser uma página do seu zine.

Seguindo o esquema abaixo, é só fazer o corte na parte indicada com tesoura ou estilete, e seguir qualquer um desses tutoriais de dobra para formar o livreto. Você encontra facilmente no Google, mas eu vou deixar aqui pra facilitar sua vida.
Confira mais na imagem a seguir ou no vídeo que foi linkado ali em cima!
Após ter o esqueleto do zine de bolso em mãos, está na hora de preencher as páginas!
Nesse processo, principalmente nos seus primeiros zines, sinta-se livre para experimentar e brincar com a coisa. Explore temas, use suas próprias fotos, coloque seus textos, faça zines educativos ou de um tópico que você é fã. Use simplesmente como diário, lista ou para espalhar informações. Zines são um ótimo formato para distribuição presencial: faça zines de presente para seus amigos ou para manter memórias de eventos, lugares, viagens ou simplesmente das suas coisas favoritas. Não tem caminho errado.
Existem um milhão de outras formas de fazer zine, e estes são só um único exemplo, pensado especificamente em um contexto introdutório. O zine também pode ser costurado ou grampeado, ou até mesmo um arquivo digital. Não existe obrigatoriedade de formato, nem de número de páginas. Não precisa ter colagem, nem desenhos se você não quiser. Pode ter texto digitado, ou escrito à mão. Pode ter um texto corrido sobre algo que você queira falar, ou um poema que você escreveu. Pode ter listas e até páginas em branco. Você escolhe. O mais bonito deste formato de autopublicação é a liberdade.
Este material é um convite, e esperamos que ele te ajude a transformar suas ideias em algo novo e cheio de vida.
Fiz meu primeiro zine, e agora?
O primeiro passo é contar para as pessoas do seu zine. Fale (e mostre!) para amigues, divulgue em suas redes sociais, espalhe cópias por aí.
Suba o zine na Biblioteca de Zines e aproveite para explorar o acervo. Assim, não só o seu zine será visto como você pode achar inspiração para seu próximo zine.
Procure nas redes sociais a #zine ou #fanzine, veja e acompanhe outras pessoas criadoras de zines, como nossos colaboradores a seguir:
Procure descobrir se na sua cidade existe algum encontro ou feira de zines. Se tiver, leve cópias do seu para trocar com outros participantes. Se não tiver, você pode propor um. É uma ótima maneira de encontrar outras pessoas que fazem zines.
Se achar que um evento é muito para você, convide pessoas para fazer zines junto e comece a criar sua rede de zineiros entre sua família ou amigos.
A criação manual é um ótimo jeito de exercitar não só criatividade, como comunidade.
Está com dúvidas e insegurança? Peça ajuda! A comunidade zineira é super colaborativa e todo mundo adora trocar conhecimento e experiência. Quem sabe não sai até um zine coletivo a partir de uma pergunta?
Leve seu zine com você para onde for: aulas, cursos, passeios, viagens, encontros, cinema, livrarias: a gente nunca sabe quando vai encontrar alguém interessado.
Por fim, faça um segundo zine (e um terceiro, quarto, quantos quiser).
Aproveite essa linguagem e todas as suas possibilidades!

Essa é a newsletter da Biblioteca de Zines, apresentando nossa nova série de materiais introdutórios e educativos ao mundo dos zines!
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Escrito, revisado, pitacado e inspirado por
Raquel, Luana, Stefani, Maria, Yas















Lo mucho que prefiero la palabra “zineiro” a “zinester” como dicen en inglés. Jajaja También, solo estoy aprendiendo portugués y se me hace difícil escribirlo todavía, sin embargo, entiendo todo lo que leí. Excelente formato y divulgación de información. Solo espero que puedas entender mi español de la misma forma. Seguiré leyendo sus posts y zines. Prontamente te podré responder en tu lengua. Excelente trabajo, hermano!
QUE COISA MAIS LINDA